segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

ENCRUZILHADA

Chove,
No cinzento plúmbeo do céu
Não se vislumbram estrelas,
Não se avista a lua.
A calçada molhada reflete
A luz fria dos candeeiros.
Silêncio,
As vozes da televisão soam fantasmagóricas.
Os sons dos carros, que passam na rua,
Ou na ponte,
Chegam até mim como se de um mundo distante.
Rescrevo mentalmente as memórias das coisas
E das pessoas.
Aguardo,
Aguardo, o tempo que passa transportando
Boas, ou más, novas.
Sinto a vida em suspenso.
Aguardo o tempo,
As vitórias ou derrotas.
Ausência,
Ausência, de saber
Ou de querer e crer.
Transformação,
No mesmo, em tudo, ou em nada.
Da vida quero um rascunho,
Quero apagá-lo e rescrevê-lo
Uma e outra vez.
Acerto,
Falho, vivo, rescrevo.
Parado, o tempo,
Aguarda a minha resposta.
Resvalo na impotência,
Paro na encruzilhada.
Perdida no labirinto.
Aguardo o tempo,
O movimento, o reflexo,
O conhecimento,
Ou apenas a surpresa, que espero,
Da mão que anseio, para acordar do devaneio
Escolher o caminho,
Abandonar a encruzilhada. 





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